Introdução: As terapias biológicas transformaram o manejo da colite ulcerativa (CU) grave e da doença de Crohn (DC), mas seu impacto na redução da necessidade de colectomia permanece sob investigação, especialmente em casos refratários ou pós-transplante. Objetivo: Avaliar o efeito das terapias biológicas na taxa de colectomia em pacientes com CU grave e DC, considerando diferentes cenários clínicos. Métodos: Revisão sistemática de três metanálises publicadas em 2024, identificadas no PubMed com os termos "Colectomy", "Colectomia" ou "Colectomía" no título/abstrato, filtradas por 1 ano e tipo metanálise. Analisaram-se taxas de colectomia, resposta clínica e desfechos em pacientes com CU e DC tratados com biológicos. Resultados: Em CU após falha de biológico inicial, a taxa anual de colectomia foi de 9%, sendo maior com adalimumab (15%) e menor com infliximab (5%). Em DC, o uso precoce de biológicos (<3 anos) reduziu o risco de cirurgia em 37% (OR 0,63, 95% CI 0,48-0,84), enquanto em CU o risco de colectomia aumentou em 186% (OR 2,86, 95% CI 1,30-6,30) com biológicos precoces. Em receptores de transplante com DII, a taxa de colectomia foi de 12,62 por 100 pessoa-ano (95% CI 6,34-25,11), sem mortes atribuídas aos biológicos. A remissão clínica em CU variou de 19% (adalimumab) a 35% (vedolizumab) em 52-54 semanas. Conclusão: Biológicos precoces diminuem a colectomia em DC, mas não em CU, onde podem refletir maior gravidade. Em CU refratária, infliximab e vedolizumab mostram vantagem sobre adalimumab. Em transplantados, os biológicos são seguros, mas a colectomia persiste significativa. Esses achados orientam a seleção terapêutica e destacam a necessidade de estudos longitudinais.
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